Morte não combina com nada disso. Morte é final e finais só acontecem no fim. Nós estamos no começo.
Como um diáriozinho barato, deixando registrado aqui que amanhã a Lú e eu morremos.
E tenho dito.

Eu quase nunca escrevo sobre política, se escrevo não publico porque é um assunto delicado e eu não sou exatamente mestrada no assunto. Além do mais, toda vez que eu leio, discuto, ou seja, me aprofundo no assunto me bate uma depressão considerável. Mas merece uma exceção, merece que eu estou puta da vida.
Todo ano temos feriado no dia da independência brasileira e proclamação da república. Aqueles desfiles bregas, comemorando que somos independentes, que somos uma república democrática. Mas espera aí, independentes? Democrático? Não acredito que essas podem ser palavras inclusas no dicionário brasileiro.
Independência, a não dependência, não depender de ninguém. O Brasil é dependente e muito, talvez até mais que antes de D. Pedro às margens do Rio Ipiranga ter gritado "Independência ou morte!", com a espada em punho, todo lindo, de uma coragem excepcional. Naquele momento ele já iniciou uma bela dependência, o Brasil teve que pagar uma grande quantia (que eu não sei quanto foi, mas certamente mais do que nós, classe média-alta, iremos arrecadar em toda a nossa vida) pra Portugal, naquele momento o Brasil conheceu o fantasma da dívida externa, esse fantasma que nenhum jesuíta, pai de santo nem macumbeiro vai afastar do Planalto Central. Depois vieram outros monstros eternos, o tal do Fundo Monetário Internacional, vulgo FMI, por exemplo. Agora me digam qual é o sentido dessa comemoração anual? Não tem sentido, nesse dia deveriam fazer passeatas exigindo que fóssemos finalmente independentes, exigindo que a população não pagasse por um erro que não fomos nós que cometemos. Claro que é muito mais confortante botarmos nossas roupas de missa e celebrarmos a independência que D. Pedro, que nem brasileiro era, proclamou nas margens do rio que aparece no nosso hino.
Ah, democracia, essa palavra bonita que nos ensinaram que temos direito por sermos cidadãos. O dicionário, aquele que não deveria conter tal palavra, disse que democracia significa soberania popular. Que soberania? Onde, Gama Kury? que eu não consigo achar. Soberania do popular uma ova, povo não são os habitantes de um país segundo você, Sr. Kury? Vamos pensar no povo do nosso país democrático então, vamos falar nesse povo que vota toda eleição e bota nas mãos se uma dúzia de homens o destino de suas vidas. A maioria do povo brasileiro vive naquela miséria que conhecemos, mas vivemos esquecendo dela, a favela nas cidades grandes, a desumanidade nas regiões Norte e Nordeste, a fome que invade as janelas das casas como música que toca em alto em bom som cantando que os políticos que aquelas pessoas elegeram comem, e além de comer ganham o suficiente pra alimentar cada brasileiro milhares de vezes. Esse povo que não tem educação, educação, essa que está nos direitos da criança, nos direitos daquela criança que anda 32km todos os dias pra trabalhar e ganha 50 centavos por dia, 50 centavos! O meu maço de cigarro diário paga 5 dias de trabalho dessa criança que deveria estar estudando por DIREITO (aí está o motivo da minha depressão política, essa desigualdade absurda que por vezes prefiro não me lembrar). O povo não é soberano não, não é porque o povo não tem instrução pra escolher, o povo não vota no candidato que apresenta as propostas mais inteligentes, o povo vota naquele candidato que as redes abertas de televisão mostram, até porque desde que foi inaugurada a Rede Globo de Televisão vem elegendo nossos presidentes. A um ano de eleições presidenciais e eu me deparo com dois exemplares da revista Veja seguidos falando mal do nosso atual presidente Luís Inácio Lula da Silva, mostrando todos os podres, matéria de capa. Eu não sou nenhuma defensora do cara não, não boto minha mão no fogo por nenhum político, mas até mesmo as pessoas que têm acesso à tal revista, que não é barata, estão começando a ser postas contra ele. Não acho que as merdas que ele faz devem ser escondidas, pelo contrário, temos direito a informação, mas é o jornalismo que deveria ser mero meio de informação, sem demonstrar opiniões que está todo errado, eles mostram todas as merdas que o nosso caro presidente fez, jogam todas as pedras, insinuam tudo, mas esquecem das coisas boas. Estão amaciando o público (antigo cidadão) pra entrada de um outro qualquer. A mídia faz o que quer desse país, a mídia elege presidentes, a mídia lança padrões de felicidade, a mídia destrói a democracia. Essa coisa de globalização alsjfdnljkdhgljks.