Afinal, conversa de bêbado é sincera.
Bom mesmo é unir bons amigos, um amor e algumas garrafas de cerveja (ou a escolher).
Melhor ainda é observar. Com a língua extremamente doída e altamente proibida tomar qualquer tipo de álcool, sento-me em uma mesa de bar, desses bem botecos, com algumas pessoas queridas e começo a observar a convivência humana.... Se encontram ali vários tipos de sensações: O rapaz abandonado, a homenageada, o animador sorridente e eu.
-Garçon, por favor, traz uma cerveja?
-Opa! é pra já.
E como um déja-vu, esse pequeníssimo diálogo se repete mais ou menos umas 6 vezes antes de tudo ficar realmente interessante, ou seja, do álcool começar a fazer efeito no mais fraco de todos : o rapaz abandonado que, na minha opnião é o mais disfarçado. Ele ri, ri, ri, brinca, ri mais, faz piadas, ri mais, tenta me beijar, beija ela, me beija, beija ela e ri mais ainda. Na teoria é só olhar e pensar que depois de tanto chororô, ele simplismente esqueceu. O que não é verdade, mas isso só ficará claro mais na frente... De baixo de toda aquela euforia se escondia um garoto frustrado, desiludido de não ter sido o primeiro a tomar a atitude final [ou seria inicial, como disse o oposto da história?] ...
Não vou mentir que por uns instantes senti pena, não uma pena má, mas uma vontade de fazer o ruim sumir pra dar lugar ao bom e, impotente desisto. Deixe o sofrer...é importante. Crescer àla Miguilim mode, certo? Certo.
Tendo resolvido, deixei-o de lado. Me concentrei então na garota homenageada. Dali a alguns instantes ela iria embora, por pouco tempo, é verdade mas que sei que será uma eternidade.
Lá está ela, sentada, rindo, comendo, sendo livre. Livremente presa. Presa em uma angústia as vezes até desnecessária, mas ela é assim mesmo...Até tentou disfarçar, mas sabemos que isso não é de seu feitio. Estava ali, olhando rapidamente tudo, como se pudesse guardar aquele momento até a reprise, mês depois. Ela olha, olha olha e tenta, com todas suas forças esquecer o motivo de sua angústia. Não consegue pois, ao mesmo tempo está eufórica pela expectativa de encontrar sua irmã que há tempos não vê. Sorri e chora, sorri e chora. Chora por dentro. Mas deixemos ela de lado também.
Próximo, muito próximo de mim está o animador sorridente, de longe o mais coberto de panos. Ele esconde dentro de si um passado bem sofrido, talvez até um presente, mas que ninguém conhece, tenho a impressão. Já diria o poeta "rir de tudo é desespero", certo?!? É um grande mistério que eu tento, aos poucos decifrar, mas que está além do alcance de minha paciência.
Depois de tantas análises absurdas reparo nos três como um conjunto, conjunto no qual me posiciono dentro nesse instante. É o grande espectro. É como se eu pudesse enxergar grandes arcos-íris pairando por ali, azul pro triste, vermelho pro feliz, amarelo pra saudade.
Saudade que eu já sinto. Saudade do que foi. Saudade do que talvez volte a ser. Diferente? Claro.
Cansada de ter tanta noção das coisas, desisto de qualquer cuidado com meu mais novo furinho e começo é a encher a cara, afinal azul combina mesmo é com bebida. Yeah.